Heil Hitler \m/

Sabe o que é, depois de ter Motorhead e Slipknot fazendo dois shows fodas, receber Metallica ao som de Creeping Death? Eu sei. Invejem-me meros plebeus.

Tudo isso começou com muita emoção. Era sábado e eu viajaria para o Rio de Janeiro – a ODIOSA cidade carioca que muitos insistem em chamar de CIDADE MARAVILHOSA. Tão de brincadeira né? Altos indíces de violencia, pobreza estampada nos morros que cercam a cidade, funk, FLAMENGO, mas nada disso supera o carioca imbecil e O SOTAQUE MAIS CHATO DO BRASIL. Essa é a tal “Cidade Maravilhosa”? Nem para os padrões brasileiros pode-se considerar essa afirmativa válida.

Enfim, cheguei dois minutos atrasado no ponto, correndo risco de perder o ônibus e consequentemente o avião. Mas deu tempo. Apesar daquela comum sensação de estar esquecendo algo, eu tinha nas mãos o ingresso do Rock In Rio pro dia 25 de setembro, o Dia do Metal, e por esse final de semana era tudo que eu precisava.

Aterrisamos no aeroporto Galeão, e graças ao motorista de taxi que fez uma rota diferente deus, o máximo de Rio de Janeiro que enfrentei foram alguns minutos de linha amarela. Nem perto do mar eu passei, apesar daquele cheiro de praia ser psicológico, mal cheguei no aeroporto e um odor que parece uma mistura de sal, areia e gente fedorenta invadiu minhas narinas.

Fui muito bem recebido na casa dos meus tios avós e logo instalei-me. Mesmo que fosse Nx Zero no palco, comecei a ver o RiR na TV para ir entrando no clima e vendo como seria no dia seguinte, no dia em que EU ESTARIA LÁ.

Foi só chegar na vez do Snow Patrol e cindo minutos depois eu estava dormindo. Bandinha cata pra cacete. Me fez perder o show que prestava naquela noite: RHCP. Acordei de madrugada com eles tocando “The Adventures Of Rain Dance Maggie”, tarde demais. Só deu tempo de ver o Flea mitando no baixo como sempre e o Anthony ridículo, parecendo que tava fantasiado – desculpa Isa, é a pura vdd – antes que eu caísse no sono novamente.

Dormir na casa dos outros é uma merda. Pode ser a melhor cama do mundo, quarto com isolamento acústico e janelas que repelem toda e qualquer luz; você vai continuar acordando a noite inteira, cada vez em espaços de tempo menores.

Pulemos a fita para 8 horas mais tarde. Já devia ser a 15ª vez que eu acordava – sem exagero – e olhava as horas. Dessa vez o relógio marcava 10:15. Como sairíamos  às 11:30 e voltar a dormir para daí a cinco minutos acordar novamente não parecia-me um bom plano, pus-me de pé e comecei a arumar tudo. Saí do quarto e, para minha surpresa, todos estavam há muito tempo lá, me esperando.

Com meia hora de atraso – o que hoje em dia chega a ser normal – estávamos a caminho da cidade do rock. Eu, meu irmão, meu pai e meu primo. E a motorista e sua co-piloto, fazendo com que nós fossemos espremidos no banco de trás e pior, ouvindo/vendo (porque tinha um daqueles rádios com uma TV minúscula integrada) PAULA FERNANDES. Eu até fico parado uma hora sem poder mexer um dedo, mesmo tendo a síndrome da perna inquieta, e tendo que revesar a vez de respirar pra não ocupar muito espaço, mas NINGUÉM merece ter que IR PRO ROCK IN RIO OUVINDO PAULA FERNANDES numa altura que dava pra quem estava em um carro de som do outro lado da avenida escutar.

Durante hora envergonhados, vestidos de preto claramente indo pro Rock in Rio, tentávamos nos esconder. Se fossemos reconhecidos a manchete que iria nas capas dos jornais no próximo dia seria: “999.996 pessoas espancam 4 por gostar de Paula Fernandes”. Também teriam um novo recorde no Guiness que seria “maior número de envolvidos em um (ou quatro) assassinato(s)”.

Foi um alívio o momento em que descemos do carro. A caminhada que disseram ser de 1 a 2 km foi tranquila por causa da fila, que não só parecia uma punheta – ia, ia, ia, de repente parava e demorava pra voltar – como deu lugar a acontecimentos engraçados. O que melhor me recordo, por ter abrangido boa parte da fila e se sobressaído, foi uma igreja evangélica que colocou seu som no máximo e deu play na lista de canções crentes, com direito a pausas pros discussos do pastor numa tentativa de “exorcisar” o demônio presente em nós. Foi motivo de risada para todos, alguns até cantaram provocações satânicas só pelo lulz (imagino eu).

Então. Depois de só ver fila, fila e mais fila, estávamos lá dentro.

Meu pai não poderia deixar de nos atrasar mais um pouco e teve que mijar. Demorou cerca de dez minutos, afinal pra tudo naquela porra tinha fila, até pra mijar.

Só quando vi o Palco Mundo monstruoso se impondo a metros de distância que me veio a cabeça “carai, eu tô no Rock In Rio”. A ficha começou a caiar. No exato momento que chegamos no Palco Sunset, o Matanza começou sua apresentação dando início ao Dia do Metal. Não deu dois minutos para que se formassem rodas de mosh em todos os cantos. Eu, com meus 1,60m e músculos inexistentes, fui parar no meio de uma. Mas, como disse, tenho 1,60 e foi fácil escapar antes que um daqueles brutamontes dessem um peteleco e eu fosse parar direto no hospital.

Foi o melhor do Palco sunset. Todos foram bons, com excessão do Angra que deve ter levado o radinho da Xuxa como equipamento, porque nem o meu amplificador velho (mais velho do que eu) todo empoeirado e com mal contado era tão ruim. O negócio é que a galera tava muito animada no começo e rockeiro é tudo gordo sedentário. Num aguentaram meia hora pulando e começaram a apresentar pizzas tamanho família e ofegar só de levantar o braço.

Não vi o show do Sepultura, minha coluna fudida de velho que não suporta nem quarenta minutos em pé, depois de três horas era como se as vértebras tivessem fazendo um mosh interno no meu corpo; e os primeiro sinais de fome surgiram. Só tinha Bob’s e a fila era estratosférica. Acho que a primeira vez que uma quantidade considerável de pessoas cantou, foi o côro de “Ei Bobs vai tomar no cu!”. Se deixasse para depois, eu perderia os melhores shows e ficaria mais distante ainda do palco. Foram sessenta minutos ou mais pra pagar R$12,00 num sanduíche e em cinco digeri-lo.

Esperei satisfazer minha fome para dirigir-me ao Palco Mundo, “Rockeiro vazio não aguenta pular e cantar junto no último show que é o do Metallica”, já diria o ditado. Perdi o Glória, o que talvez tenha sido um ponto positivo da fila imensa. Assisti Coheed and Caimbra sentado, assim como a maioria das pessoas a minha volta, que só levantaram quando a banda fez um cover de Iron, e ao terminar, voltaram a se sentar. Começou Motorhead e aí sim aquela parada COMEÇOU de verdade. O show foi bom, apesar da falta de carisma do Lemmy Kilmister, deu pra agitar. Tocou Ace Of Spades e todos os posers (tipo eu) se soltaram.

Paguei pau mesmo foi pro Slipknot. Nem curtia muito antes, mas foi a primeira banda que conseguiu levar a loucura o intimidante público de CEM MIL PESSOAS. Fizeram uma apresentação muito boa mesmo. A interatividade foi foda, teve até stage diving. Na metade do show minha coluna já não suportava mais e eu pensei “vei, imagina que louco se esse cara mandasse todo mundo sentar e eu pudesse descansar”? Dez minutos depois, foi exatamente o que aconteceu. Eu tive que filmar pra não duvidarem.

Acabou o show dos caras eu eu fiquei: CARALHO, até que eles não são pouca bosta não.

E aí, veio o real motivo de 90% ou mais dos que estavam lá para levantarem a bunda gorda do sofá, quebrar o porquinho com as economias dos últimos anos, mendigar um pouco de dinheiro da mãe e comparecer ao festival: METALLICA. Abrindo com Creeping Death, de imediato mostrou que ia ser uma noite inesquecível.

Repertório repleto de clássicos (afinal um festival não é o melhor lugar para se tocar bsides), desde “Whiplash ” e “Master Of Puppets” a “Cyanide” e “All Nightmare Long”. Não teve uma música sequer que não foi cantada junto pela platéia. Um coro magnífico de, repito, CEM MIL rockeiros que deu trabalho, mas nada que sir James Hetfield e seus amigos Lars Ulrich, Kirk e Trujillo não conseguissem manusear. Pelo contrário, fizerem um ótimo trabalho tornando-nos suas marionetes.

O ápice da noite foi mais ou menos na metade do show, quando após uma bela homenagem a Cliff Burtun, soou um dos riffs mais famosos do rock’n'roll: tundandundaaan, tundandundaan, tundandundaan daan. Era o início de “One”. Um sentimento de “PUTAQUEPARIU CARALHO MERDA VAI TOMAR NO CU DESGRAÇA QUE FOOODAAA” que por mais que você dente descrever com vários palavrões, não da pra repassar ao menos que você também já tenha sentido, contagiou desde Lars Ulrich no “fundo” do palco em sua bateria até a última pessoa na platéia, que cantavam como um coral bem treinado: Uoouô, Uoouô, Uoouôô.

Ao invés deu ficar tentando explicar, vou deixar um vídeo aqui procês terem pelo menos uma ideia de como foi:

Deixaram o palco no fim de Enter Sandman, mas claro que não iam nos abandonar. Voltaram e tocaram “Am I Evil” (cover de uma banda que inspirou o Metallica) e “Whiplash” e então haviam realmente finalizado a apresentação. Ninguém acreditou que tinha sido tão rápido, setlist de 16 músicas. Não se dando por vencidos, mesmo cansados e provavelmente com dor na coluna quase tão grave quanto a minha, pediram e insistiram por “Seek and Destroy”. Não iam nos deixar na mão, voltaram com toda disposição como se tivessem começando outro show. Mas foi só.

Terminou de verdade. Fizeram um discusso de despedida e foram embora. E desta vez, a caminha de 2 km para deixar a Cidade do Rock pareceu bem mais longa.

De qualquer jeito, me chupem! Presenciei um dos únicos dias de Rock de verdade no Rock In Rio, o único realmente bom. O que também me deixa relativamente puto, porque num festival desses não deveria ser motivo de comemoração ter um dia que tocou Rock, e ainda ter que ouvir o infeliz comentário da Claudia Leitte sobre a insatisfação do público.

Se você não acessou o twitter nesse último mês (haha, this could be the new “se voce esteve em coma” ou “se você viveu em uma caverna”) a Claudia Leitte apresentou-se no dia de abertura do ROCK in Rio. Isso mesmo, você não leu errado. E, o que também a maioria de vocês deve saber, devido às incontáveis críticas que obviamente foram feitas, ela deu algumas alfinetadas no tuiter.

Claudia Leitte cantou Led Zeppelin e Rolling Stones no Rock in Rio e foi criticada pelos roqueiros, que a colocaram nos Trending Topics. Nesta terça-feira, ela deu a resposta em seu blog. E comparou a Hitler quem curte rock e se acha superior a quem gosta de axé.

“Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…

Há tanto por fazer. E pessoas com voz ativa, com acesso à internet, manifestam-se como se fossem melhores que as outras porque curtem o LED ZEPPELIN… Hein?”

- Estadão

Antes de mais nada, gostaria de antecipar que a piadinha “aham Cláudia, senta lá” não será feita. Prezamos pelo bom humor neste blog (ou pelo menos tentamos).

Se me for permitido, gostaria de fazer algumas considerações.

Pra início de conversa, quando se faz um evento chamado ROCK in Rio, é esperado que seu público seja formado em sua pluraridade esmagadora por adoradores do Rock and Roll. Mesmo aqueles que não idolatram, estão indo de alguma forma para ouvir Rock. Quando anuncia-se que artistas de pop e até AXÉ vão tocar num evento desses, duas coisas ficam nítidas. A primeira é o interesse restritamente monetário dos organizadores. A segunda é que OS ROCKEIROS VÃO FICAR PUTOS, e com razão.

Nem estou levando em consideração a mediocridade que é o Axé, somente dizendo o que é indiscutível.

Se o Metallica se apresentasse numa micareta, o que é meio forçassão de barra porque os caras tem dignidade, e nesse caso seria uma banda boa num evento ruim, tenho certeza de que não seria bem aceito pela CABRA (Comunidade Axé Brasil Rôla no Anus) e depois de muitas garrafas de Ice atiradas no palco, com muita Ousadia&Sucessagem trancariam-os em uma sala que seria uma espécie de mini micareta particular, como forma de tortura . Não estariam errados (em achar ruim). Se por algum motivo besta deu na telha que frequentar micaretas seria uma boa ideia, é porque você queria ouvir Axé (além de contrair doenças seuxal-oralmente transimitidas que a ciência ainda nem decobriu, e depois poder usar o abadá na rua pra tirar onda com as gatinha). Certo, você é burro e tem um gosto ruim pra caralho, mas não é esse o ponto.

Sem contar a regressão que essas musicas populares brasileiras representam.

Aliás, tenho uma teoria que tem muito a ver com esse post e gostaria de compartilhar. Ai vai:

Axé é resultado da ditadura!

*boom right on your face*

A ditadura militar reprimiu trabalhos artísticos, com foco principal na música. Apenas liberando aquelas que falassem de amor, festa, assuntos mais fulos, sem conter críticas e mensagens para passar. Música para acomodar a população, não exigindo pensamentos e reflexões.

A ditadura acabou, mas romper uma barreira ideológica e comportamental cultivada por décadas não é tão simples como assinar alguns termos. O brasileiro ainda continua com esse pensamento preguiçoso e, por isso, o Axé é tão bem sucedido aqui. Falou de putaria/temáticas fáceis, pronto, conquistou metade da população. Sobretudo no Brasil, onde a classe predominante é pobre. Veja bem, sem preconceitos classiais, admita que é exigido um nível elevado de formação acadêmica para compreender aspectos mais críticos, geralmente escondidos nas entrelinhas. O que, pelo menos por enquanto, não é a realidade do nosso país.

Não tem como um sujeito que não completou nem o ensino fundamental e provavelmente, se estudou, estudou bem porcamente a Ditadura, entender uma música que faça analogia a mesma. Talvez ele até goste da melodia, quiçá da letra, porém, a arte é a mensagem que o artista quis passar, e isso ele não entendeu – viu, as aulas de História da Arte estão funcionando para alguma coisa.

Agora, olhe o outro lado. Quando ele se depara com uma canção que ele não tem nenhuma dificuldade para inferir do que se trata, e sabe até cantar palavra por palavra – que no caso do Axé são quase totalitariamente conjuntos de sílabas aleatórias -, porra, o ego e a autoestima do cara vão lá em cima.

Amiga Claudia, tá sacando o que eu quero dizer? Não é exatamente porque eu gosto de Rock e outros estilos mais “cultos”, ou nas suas próprias palavras “porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica” que eu sou “”"superior”"”. É mais pelo lado da recíproca, gostar de axé, funk, sertanejo que lhe declara como um ser ignóbil. Esses estilos não acrescentam nada à sua vida, ou você vai dizer que “Choveu na minha horta vai sobrar na plantação/Deixei pra trás (tchururu), pois tanto faz (tchururu)/Eu quero mais é beijar na boca” tem uma interpretação muito construtiva? Além de, convenhamos, sonoricamente soar pior do que a cantoria dos galos de manhã, te acordando depois de uma horrível noite de sono.

Axé é sim inferior ao Rock, não há o que argumentar contra isso. Não venha me comparar com Hitler porque eu gosto de uma coisa melhor e SEI DISSO.

Poxa Claudinha, não é só porque você é GOSTOSA PRA CARALHO (e já tocou Los Hermanos) que pode sair falando qualquer merda assim.

3 Respostas to “Heil Hitler \m/”


  1. 1 Luiza Outubro 2, 2011 ás 4:09 pm

    Falar que você acordou minha mãe você não fala não, né?? haha muito bom, sr. Felipe!

  2. 2 z. Dani Outubro 4, 2011 ás 2:24 pm

    muito bom o post, continue assim hehe

  3. 3 subwaytoisa Outubro 17, 2011 ás 9:03 pm

    Bom, sobre o Anthony, ele pode estar bem diferente da última vez que você o viu, mas lembro.. Ele envelheceu como qualquer ser humano. À propósito, muito bem se comparado ao Axl (que tem a mesma idade). Mas o que importa é que o Werneck voltou! Textos bem feitos, engraçados e interessantes. Sobre os evangélicos, eu também vi na ida pro dia 24 e ri muito daquilo tudo, é um protesto bem estranho. Sobre a Paula Fernandes, não creio que você pagou tanto mico, afinal quase que ela foi pro rock in rio também!! Já sobre a Claudia Leitte, adorei a relação com a ditadura, faz sentido.. Só errastes em um ponto: a elite brasileira também tem se interessado muito pelo sertanejo/axé/funk, veja pelo nosso colégio mesmo… Enfim, continue assim, migo, ficou muito bom!


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